Motociclistas foram 85% dos hospitalizados em um ano de acompanhamento

Um estudo realizado com apoio do governo estadual constatou que eram motociclistas 85% das pessoas hospitalizadas após acidentes de trânsito, entre 1º. de agosto de 2016 e 31 de julho de 2017. Essa e outras conclusões foram apresentadas em setembro, durante o Seminário de Avaliação Parcial do Programa de Pesquisa para o Sistema Único de Saúde (PPSUS), a fim de garantir bons resultados até a finalização dos trabalhos, em 2019.

Na década que está chegando ao fim, cresceu a mortalidade por acidentes de transporte na população brasileira, especialmente na Região Sul, que registrou 27.7 óbitos a cada 100 mil habitantes. Tais acidentes representam mais de um quarto das mortes violentas do país, sendo responsáveis por 20% das internações por lesões em hospitais.

 

O estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) usou dados de notificações e de 45 entrevistas com pacientes internados em Florianópolis por lesões decorrentes de acidentes de trânsito. Só a Polícia Rodoviária Federal fez 1.500 atendimentos em rodovias federais, principalmente na BR 101. Para espanto geral, a maior parte dos acidentes ocorreu em estradas retas, secas e à tarde, com céu claro, levantando a hipótese de que o problema maior foi a imprudência dos condutores – particularmente em ultrapassagens.

Isso explicaria, também, porque a SC 401, rodovia relativamente curta e cheia de retas, aparece como a segunda em número de ocorrências – 895 casos atendidos pela Polícia Rodoviária Estadual no período referido – atrás da SC 108, dez vezes mais longa, com 472,26 km entre Joinville e Praia Grande (divisa com território gaúcho).

Nada menos que 92% dos acidentados em questão foram para o Hospital Regional de São José, segundo os pesquisadores, com base nas notificações. “Alguns hospitais, como o Celso Ramos, registram apenas a lesão e não o fato de ter sido causada por acidente de trânsito. Se tivesse um sistema unificado de notificação, outras pesquisas poderiam ter qualidade melhor”, ponderou a Professora Andréia Isabel Giacomozzi (na foto), que fez graduação e pós-graduação em Psicologia na UFSC, onde leciona. Ela lamentou não ter conseguido obter dados do SAMU, mas analisou dados dos Bombeiros e de outros socorristas, como os da Policia Rodoviária Federal e Estadual.

O projeto de pesquisa continua por mais um ano e reforça a parceria entre o Laboratório de Psicossolciologia da Comunicação e Cognição Social do Departamento de Psicologia da UFSC e a Gerência de Agravos da Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria do Estado da Saúde. Esta secretaria está junto com a FAPESC (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina) e o CNPq na operação do PPSUS, coordenado pelo Ministério da Saúde por intermédio do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (Decit/SCTIE).

Desde sua criação, em 2003, este programa voltado à melhoria na gestão e no atendimento do SUS apoiou mais de 3 mil projetos no Brasil e mais de 300 em Santa Catarina, todos acompanhados por meio de seminários de avaliação promovidos durante a realização das pesquisas e ao término delas.

Acima, Maiara Leandro, Anderson da Silveira e Juliana Fiorott, participantes da pesquisa.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação da FAPESC