Apoiado pelo Sinapse da Inovação, Desfiador Ecotêxtil conquista novos mercados

Até o fim de janeiro, a Eco Têxtil Indústria e Comércio de Máquinas, de Luzerna (SC), despachará mais um equipamento inovador a outro estado, no caso o Rio de Janeiro. O Desfiador Ecotêxtil é uma solução para micro e pequenas confecções interessadas em melhor aproveitar matéria-prima e gerar menos resíduos, associando ganho econômico e ambiental. A partir desta filosofia, o material de descarte volta ao processo industrial ou vira um novo artigo têxtil.

 O equipamento reaproveita retalhos que sobram da confecção de roupas, formando uma estopa que irá gerar novos tecidos. Assim, as confecções que o utilizarem conseguem aproveitar 98% da matéria prima que compraram, em vez de jogar fora  20% dela, como é normal no setor. Cinco delas já compraram a máquina, mas a empresa catarinense quer aproveitar o mercado amplo no estado, que tem aproximadamente 11.300 confecções. Até já vendeu o desfiador a uma empresa baiana e fez duas solicitações importantes para garantir a propriedade industrial: de patente e de desenho industrial. Em 2017, conseguiu melhorar o preço e o desempenho do equipamento, além de entrar com pedido da marca Eco Têxtil.

Começar pequeno

Tudo teve início quando jovens empreendedores de Luzerna – município catarinense com população inferior a 6.000 habitantes – concorreram com mais de mil ideias submetidas em 2013 ao programa Sinapse de Inovação, da FAPESC (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina). Não só foram contemplados no programa estadual de empreendedorismo inovador e receberam verba para desenvolver um protótipo, como também,  3 anos mais tarde, tiveram o desfiador agraciado na 6ª edição do Prêmio Stemmer Inovação Catarinense e receberam troféus das mãos do governador Raimundo Colombo. Isso porque o equipamento seria capaz de reduzir em 250 toneladas o volume dos resíduos enviados mensalmente a aterros catarinenses.

“Ser agraciado pelo Prêmio Stemmer é a chancela de que estamos no caminho certo e pode abrir portas para entrarmos com tudo na indústria têxtil nacional”, disse Severino Luiz De Déa (foto abaixo), sócio do irmão Humberto Luiz De Déa Jr. na empresa especializada em desenvolver tecnologias para reaproveitamento de artigos têxteis.

A Eco Têxtil iniciou suas atividades na pré incubadora da Unoesc (Universidade do Oeste de Santa Catarina), onde desenvolveu o plano e modelo de negócio. “Nesta época não tínhamos nem CNPJ, somente um propósito de criar uma máquina que solucionasse a destinação dos resíduos sólidos das confecções”, acrescentou.

O duplo apoio da FAPESC, por meio do Sinapse e do Prêmio Stemmer, foi essencial para o progresso da empresa. Em 2016 a Eco Têxtil participou do Lab Inovação na Cadeia da Moda,  laboratório de capacitação com duração de 4 meses, entre outubro de 2016 e fevereiro de 2017. O laboratório foi promovido em parceria pelo Instituto C&A  e pela Social Good Brasil para incentivar e reconhecer empreendedores que buscam soluções para uma moda mais justa e sustentável. “Nesses encontros percebemos que a Economia Circular é o caminho para a fibra de algodão, iniciamos o projeto mapeando a cadeia têxtil, levantamos os gargalos e tecnologias existentes para fazer o reaproveitamento dos resíduos transformando em fibras despigmentada. Nosso próximo passo é a busca de editais de fomento ou parceiros para dar perenidade e escala ao projeto, de modo que os resíduos voltem a ser fios para o tear, depois tecidos, depois camisas ou outros produtos, consolidando a economia circular”, anunciou Severino.

Para mais informações, acesse o site http://www.ecotextil.ind.br ou mande emails a contato@ecotextil.ind.br.

Fonte: Heloisa Dallanhol – Coordenadoria de Comunicação da FAPESC