Conheça os cinco vencedores do Prêmio de Valorização da Biodiversidade de Santa Catarina

A Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (Fapesc) entregou, na segunda-feira, 25, o Prêmio de Valorização da Biodiversidade de Santa Catarina. O objetivo da iniciativa é incentivar pesquisas e produção de conhecimento sobre espécies do ecossistema catarinense e apoiar a divulgação desses estudos, dando mais visibilidade aos resultados. Cada vencedor recebeu R$ 15 mil e passagens para o Rio de Janeiro para visitar o sítio Roberto Burle Marx e o Jardim Botânico. 

Para o presidente da Fapesc, Fábio Zabot Holthausen, o prêmio reconhece o trabalho e a dedicação de pesquisadores, professores e jornalistas a um dos temas mais importantes da atualidade, sobretudo, para Santa Catarina. “A nossa biodiversidade é extremamente rica. Nós ficamos contentes em apoiar e reconhecer as pesquisas e os estudos que podem trazer conhecimento e gerar novas soluções para este ambiente tão importante para nosso Estado.” 

O prêmio foi dividido em três categorias: Roberto Miguel Klein, voltado para trabalhos que envolvem a ecologia e a biodiversidade de plantas nativas do Estado; Raulino Reitz, para publicações que tratam da recuperação e da conservação das matas ciliares e atreladas a recursos hídricos; e Burle Marx, para publicações relacionadas à biodiversidade urbana e paisagismo ecológico. 

Na categoria Roberto Miguel Klein foram três premiados. Valdeir Pereira Lima, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais da Universidade Federal de Santa Catarina (RGV/UFSC), foi o vencedor na classe aluno de pós-graduação. O prêmio deve-se ao artigo publicado na revista AUSTRAL ECOLOGY, em 2020, com o título Extinction threat to neglected Plinia edulis exacerbated by climate change, yet likely mitigated by conservation through sustainable use

“Eu avaliei os impactos das mudanças climáticas globais sobre a distribuição na Plinia edulis, que é o cambucá. Essa espécie foi, por muito tempo, bastante abundante, mas hoje é rara”, explica. A fruta não foi encontrada sequer nas unidades de conservação do Estado. “Chegamos à conclusão de que aproximadamente 50% das áreas climaticamente adequadas para o cambucá vão ser perdidas. Algo interessante é que as áreas climaticamente adequadas para o cambucá estão primordialmente em Santa Catarina e nosso trabalho ressalta a necessidade de conservação”. 

Anaísa Catucci da Silva, da NSC Comunicação, venceu na classe jornalista pela reportagem Como a gente trata o nosso meio ambiente – Primeiro episódio a flora (reportagem jornalística multimídia). O material foi publicado em veículos do grupo – clique aqui para ver uma das reportagens.

De acordo com a jornalista, a ideia surgiu enquanto a equipe planejava pautas para a semana do meio ambiente. A reportagem comparou informações da década de 1950 com pesquisas atuais sobre a flora e chegou a dados importantes: “20% das espécies arbóreas e arbustivas registradas em 1960 não foram mais encontradas 50 anos depois. Combater desmatamento e restaurar florestas remanescentes são desafios para a conservação”, destacou a reportagem.   

Newton Clóvis Freitas da Costa, professor colaborador da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), venceu na classe Professor ou Pesquisador, com o artigo Spatiotemporal variation in mating system and genetic diversity of Araucaria angustifolia: Implications for conservation and seed collection, que foi publicado na revista Forest Ecology and Management, neste ano. 

O artigo é resultado de estudos feitos no doutorado na UFSC, também no Programa de Recursos Genéticos Vegetais. O pesquisador analisou o sistema reprodutivo da Araucaria angustifolia, o Pinheiro Brasileiro. “Meu objetivo era identificar os indivíduos machos que cruzavam com as plantas fêmeas. Isso caracteriza o sistema reprodutivo e a diversidade genética da espécie. Tudo isso avaliando ao longo dos anos. Conseguimos identificar algumas variações no espaço e no tempo. Ou seja, o sistema de cruzamento varia. Isso é importante para elaborar planos de conservação. Por exemplo, quantos indivíduos são necessários para manter em uma região para que a espécie se mantenha?”, explica. 

Na categoria Raulino Reitz houve uma vencedora, a professora da  Universidade da Região de Joinville (Univille) Denise Monique Dubet da Silva Mouga. O prêmio foi concedido pelo artigo Pollinic characterization of Raulinoa echinata R. S. Cowan (Rutaceae), Dyckia brevifolia Baker and Dyckia ibiramensis Reitz (Bromeliaceae), reophyte and saxicolous endemic species of river Itajaí Açu, Santa Catarina, Brazil, publicado na ACTA BIOLÓGICA CATARINENSE, em 2017. 

As três plantas citadas no título são endêmicas, ou seja, só existem em um trecho das margens do Rio Itajaí-Açu, principalmente na região de Ibirama. Segundo a professora, uma das descobertas mostra que a floração das espécies coincide com as enchentes, provavelmente por onde é transportado o pólen. No caso de uma possível hidroelétrica na região, por exemplo, essas informações podem ser importantes para sua preservação.    

“Se quisermos preservar as espécies, precisamos saber como elas se reproduzem. Não adianta simplesmente levá-las para algum lugar. Como elas precisam da água, aparentemente, para transportar o pólen, esse lugar para onde elas seriam transportadas teria que ser um local onde também tivessem inundações periódicas coincidindo com a época da florada”, analisa a professora. “Se perder estas plantas, não vai ter mais em lugar nenhum.” 

Na categoria Burle Marx também houve uma premiação. Rosa Angelica Elias da Silva foi premiada pelo artigo Structural aspects of cypsela and seed development of Trichocline catharinensis (Cabrera): a Brazilian endemic species. O trabalho foi produzido durante o mestrado no Programa de Biologia de Fungos, Algas e Plantas (PPGFAP) da UFSC e publicado na revista Protoplasma, em 2019. Atualmente, Silva faz doutorado em Recursos Genéticos Vegetais na mesma universidade.   

A Trichocline catharinensis é popularmente conhecida como cravo-do-campo e pode ser usada para fins medicinais. “Ela é característica da Serra Catarinense, onde tem uma adaptação ao clima, ao solo e ao gado que é característica desta espécie. Pode ser utilizada como ornamento e em programas de melhoramentos genéticos, já que se sabe que ela tem muitas deficiências durante sua propagação. Como ela tem resistência a pragas e ao clima, trabalhamos com o desenvolvimento do fruto e da semente. Pensando em planos de conservação, nós temos que saber o desenvolvimento da espécie”, afirma Silva.  

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Maurício Frighetto
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