Presidente da FAPESC fala sobre planos e desafios de sua gestão

O GCR  (Grupo Catarinense de Rádios) veiculou entrevista com presidente da FAPESC, Fábio Zabot Holthausen, em que ele fala sobre os desafios de dar à instituição o protagonismo que ela merece por ser a agência estadual de fomento à pesquisa e inovação, bem como sobre experiências na Unisul e na região de Tubarão como um todo (link https://soundcloud.com/user-119317053/entrevista-com-presidente-da-fapesc-sobre-inovacao-e-desafios-para-sc ).

Abaixo, um resumo da entrevista (não  na mesma ordem da original, mas mantendo o tom coloquial do programa de rádio).

GCR  – Quais foram os maiores desafios encontrados quando assumiu a presidência da FAPESC em janeiro?

FZH –  Nesse primeiro período, a gente está fazendo um balanço geral em termos das obrigações assumidas na gestão passada, como editais em andamento. Quando a gente fala de projetos de pesquisa e inovação, estamos falando de projetos que levam 3, 4 anos. A gente está fazendo o levantamento dos recursos que temos de ter disponíveis em caixa para dar saldar e dar continuidade a eles.

O grande desafio dos últimos anos foi, com poucos recursos, fomentar o desenvolvimento da ciência, promover a ligação das instituições de pesquisa do estado com as empresas, para solução dos problemas postos.

Estamos visualizando novas oportunidades de fomento, para desenvolver novos editais, com recursos próprios, do repasse que o governo do estado faz para a FAPESC, e outros via parcerias, via Captação de recursos em órgãos federais, como CNPq, Finep e Capes. É um trabalho de Identificação das fontes de recurso, priorização e desenvolvimento de linhas de fomento para auxiliar a inovação no estado de Santa Catarina.

 

GCR – Agora as chamadas públicas da FAPESC deixam claro que cada projeto submetido deve estar correlacionado a um ou mais objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS/ONU). Qual é a intenção da inclusão desta cláusula?

FZH – Para que a gente possa estar fazendo um alinhamento daquilo que está sendo produzindo com um movimento internacional, para depois ter indicadores sobre nossa atuação. Temos focado em determinadas áreas do conhecimento e desenvolvimento para

Fazer uma avaliação dos indicadores para ter mais assertividade na hora das priorizações inclusive. Temos que ter prioridades para a aplicação do recurso público.

 

GCR – Quais são suas metas na presidência da FAPESC?

FZH – Temos conversado com várias entidades representativas e começado a modelar algumas propostas. Já posso adiantar algumas questões, como por exemplo a necessidade da interação do pesquisador com o setor produtivo. Alguns dos nossos editais vão ser casados. A proposta tem de vir da universidade, do pesquisador,  juntamente com a empresa que tem uma demanda,  um problema a ser resolvido, para que agente possa, através fomento desta relação, através do governo,  ter geração de soluções e tecnologias. Vamos avaliar nossos projetos de pesquisa básica, porque ela tem um papel muito importante para o desenvolvimento da ciência. As demandas prioritárias da sociedade serão colocadas aos cientistas. E dentro da linha de inovação, vamos ter um olhar diferenciado para o Sinapse da Inovação, talvez repaginá-lo com uma versão 2.0 para dar uma acelerada nas empresas que conseguiram alcançar um certo grau de maturidade, mas precisam de novo apoio para se tornar grandes empresas. Estamos lançando o Centelha em parceria com a Finep. A gente está buscando parcerias para ter novos recursos para estes programas.

 

GCR – De que forma a vinculação da FAPESC à SDS facilita ações em prol do desenvolvimento do estado?

FZH – A nossa vinculação com a SDS se dá também por meio da articulação que estamos fazendo, porque muitas demandas prioritárias para o desenvolvimento de SC vem a partir da atuação da SDS. Nós estamos ajustando todas estas temáticas, mas a FAPESC tem a sua linha de atuação própria. Temos editais exitosos, como o Proeventos, cuja primeira fase encerrou dia 6 de março. Temos editais vinculados à pesquisa básica, outros focados em instituições do estado como o Sistema ACAFE para solucionar problemas dos catarinenses.

 

GCR – Você deu grandes contribuições ao projeto da Lei de Inovação que criou o Conselho Municipal de CTI em Tubarão.  Como essa experiência pode ajudar a impulsionar a inovação no estado como um todo?

FZH – O Centro de Inovação é um importante ferramental, mas ele é apenas uma área física. O que é necessário e importante é a formação de um ecossistema e Tubarão está bem a frente nesse quesito. A sociedade está organizada dentro da lógica da tríplice hélice.

Não nó em Tubarão, mas na região, temos o envolvimento do setor empresarial, das universidades de ensino superior de e do próprio governo. Com esse alinhamento da tríplice hélice, o ecossistema está sendo fomentado.

Nós tivemos importantes eventos como o Innovation  Summit, que aconteceu ano passado, os seminários nacionais de inovação liderados e capitaneados pela Unisul e por entidades como a ACIT, o Startup Weekend, que está indo para a terceira edição em 2019. A sociedade está se movimentando.

Com o Centro de Inovação pronto, vamos ter um ponto de convergência na região que vai estar conectado com outros centros, e alinhado com a política de desenvolvimento. Se nós não tivermos esse ecossistema rodando, ele pode se transformar num problema e não na solução.

 

GCR – Essa sinergia junto com o futuro Centro de Inovação traz a possibilidade de tornar Tubarão polo tecnológico assim como a ilha tem o Sapiens Parque.

FZH  – Com certeza. A sociedade está se movimentado para isso. O que a gente precisa é realmente ter uma continuidade de trabalho, ter um desenvolvimento de ferramentais e incentivo do próprio governo, dentro do que tem condições. O estado de Santa Catarina tem se alinhado, pela própria SDS, em relação a esse desenvolvimento.  Vários centros de inovação vão ficar prontos ao longo de 2019 e já estão sendo avaliadas as perspectivas de atuação, alinhamento de temáticas de cada centro e modelos de governança. A SDS está liderando esta questão, para tornar as regiões competitivas, mas não competir umas com as outras. Tubarão se despontou na liderança de temas como TIC e Saúde. Isso pode tornar Tubarão um polo nestas áreas.

 

GCR – Sua atuação na Agetec (Agência de Inovação e Empreendedorismo da Unisul) se deu em várias esferas, seja como Consultor Jurídico ou Gerente de Escritórios de Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia e do Escritório de Projetos e Prestação de Serviços Tecnológicos. Ter exercido tais cargos lhe permite enfrentar os desafios estaduais em termos de aproximar empresas e universidades?

FZH- A gente aprovou junto ao MCTIC, através da Agetec, e a entrada dos recursos está prevista para o primeiro semestre de 2019, para dar início à estruturação do projeto do Observatório. Eu acabei me afastando, para assumir a presidência da Fundação de Pesquisa, mas a Agetec tem continuado nessa liderança. A Prof. Luciana Flores está à frente deste projeto pela Agência de Inovação da Unisul.

O observatório será um piloto na região para que se possa levantar indicadores. Por exemplo, que empresas estão inovando dentro de critérios metodológicos?

Se a gente está patenteando novos produtos ou processos, fazendo a proteção de marcas e se a partir destas proteções, a gente está efetuando transferências de tecnologia para outros setores. Ou seja, têm sido criadas tecnologias nas universidades e essas são transferidas para o setor produtivo? As empresas estão gerando tecnologias e transferindo-as de uma empresa para outra, dentro da horizontalização de uma cadeira de produção? A partir de um olhar externo, queremos enxergar esse cenário e gerar indicadores para que possa fomentar áreas que precisam de um maior fomento. Essa é a grande intenção do Observatório.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação da FAPESC