Lab AVC Serra recebe certificação do Ministério da Saúde

O Laboratório de Inovação para o Enfrentamento do AVC na Serra Catarinense, localizado em Lages, foi selecionado pelo Ministério da Saúde e pela OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde) para receber certificado como experiência inovadora de formação e qualificação dos trabalhadores e profissionais de saúde. Chamada de Laboratório de Inovações em Educação na Saúde, a inciativa escolheu 15 projetos do país entre os 251 inscritos para receber a certificação, além de divulga-los na Série Técnica Navegador SUS e em eventos da área da Saúde.

O reconhecimento do LAB AVC Serra se dá por ter qualificado profissionais de diversas áreas para o atendimento ao paciente com AVC e implementado a primeira linha de cuidado da Serra Catarinense com apoio de um sistema de informação para fortalecer a alta referenciada e consolidar a integridade ao cuidado. O laboratório oferece assistência humanizada, integral e multidisciplinar, com atendimentos por médicos, enfermeiros, odontólogos, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais, profissionais de sistemas de informação, nutricionistas, fonoaudiólogos. Sua implantação foi apoiada pela FAPESC (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina) em 2014.

O Lab AVC desenvolveu estratégias de capacitação para todas as equipes da Rede de Urgência e Emergência dos 18 municípios da Serra, articulando todos os segmentos, universidades, gestão, profissionais de saúde, usuários e familiares com Acidente Vascular Cerebral. “Identificamos um cenário preocupante que se referia  à incidência de AVC no Asilo Vicentino. Entendemos a necessidade de estruturar uma clínica de reabilitação, onde o curso de fisioterapia assumiu a responsabilidade de melhorar a funcionalidade e independência desses idosos frágeis”, explica a coordenadora do projeto, Camila Antunes Baccin, que também é coordenadora de pesquisa da UNIPLAC (Universidade do Planalto Catarinense).

O maior desafio é garantir a detecção precoce dos sinais do AVC e o encaminhamento em tempo oportuno ao Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, que é referência  e hoje está habilitado com 12 leitos exclusivos para o atendimento ao AVC, com equipe exclusiva para este atendimento. Somente dois em Santa Catarina estão habilitados para esse serviço, sendo o outro em Joinville. O paciente vítima de AVC isquêmico precisa ter acesso a uma droga chamada rtPA dentro de 4,5h para que se recupere sem sequelas (quando elegível para usá-la).

Para garantir a qualidade da alta, os pesquisadores do Lab AVC Serra desenvolveram um sistema informatizado, que está em processo de registro, para referenciar a alta do paciente pós-AVC e promover a assistência longitudinalizada entre a equipe hospitalar e equipes na Atenção Primária. “Nesse momento está em estruturação outro passo importante que é a Alta Compartilhada com equipes que atuam nos municípios distantes, bem como buscarmos apoio da iniciativa Angels, da rede Brasil AVC, e Proadi, do SUS”, diz Camila. Nesses quatro anos de funcionamento e assistência multidisciplinar e multiprofissional, a equipe observou melhoria significativa da comunicação horizontal entre a equipe interprofissional, o que reduz as taxas de reinternação e sequelas incapacitantes nos pacientes.

Centro Especializado de Reabilitação (foto: divulgação/ Lab AVC Serra)

O processo de seleção dos 15 projetos que seriam certificados levou 8 meses. A metodologia contemplou a realização de um seminário, em Brasília, com 45 práticas que se destacaram na primeira fase, depois visitas in loco a 31 experiências desenvolvidas em 22 municípios, durante os meses de abril e maio, para enfim chegar à seleção de 15 práticas com grande potencial de replicação no SUS e de inovação em Educação Permanente. A lista dos contemplados está disponível neste link: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/maio/23/Resultado-Final-15-selecionadas-LIS.pdf 

“Um diferencial que muito chamou atenção das avaliadoras foi a participação dos usuários , pacientes e familiares com AVC, que atuaram ativamente nas ações do projeto resultando inclusive, na criação da  Associação Rede Serra AVC”, relata a coordenadora do projeto. Elas visitaram a Clinica de Reabilitação instalada no Asilo Vicentino,  conheceram o trabalho desenvolvido para prevenção e reabilitação do AVC pela equipe e a Secretaria de Saúde do município de Anita Garibaldi, estiveram no projeto Educanvisa, onde identificaram o envolvimento de professores e alunos nas campanhas de prevenção ao AVC, e ainda puderam ter contato com  as atividades no Centro Especializado de Reabilitação onde conheceram os pacientes, profissionais, cuidadores e familiares e presenciaram atividades de reabilitação.

 

Fonte: Coordenadoria de Comunicação da FAPESC