Pesquisa da FURB sobre práticas lean tem visibilidade internacional

A doutoranda Graziela dos Santos Bento, do Programa de Pós-graduação em Ciências Contábeis e Administração da FURB, e o Prof. Dr. Gérson Tontini, Professor do Programa de Pós-graduação em Administração, publicaram artigo no Total Quality Management & Business Excellence, periódico com alto fator de impacto e estrato A1 Capes Qualis.

O artigo “Developing an instrument to measure Lean Manufacturing Maturity and its relationship with operational performance” (Desenvolvendo um instrumento para medir a maturidade em manufatura enxuta e sua relação com o desempenho operacional) é resultado da Dissertação de Graziela como bolsista da FAPESC (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina) pelo edital 05/2015, sob orientação de Tontini, e já havia conquistado o prêmio de melhor artigo apresentado na 20ª QMOD (Conferência em Ciências da Qualidade e Serviços), realizada na Dinamarca, em agosto de 2017. O trabalho pode ser lido neste link.

O trabalho propõe um instrumento para avaliar a maturidade da manufatura enxuta e examinar a relação entre a maturidade da manufatura enxuta e o desempenho operacional. Com base nos 14 princípios de gestão da Toyota, a ferramenta contribuiu para analisar a maturidade das empresas em oito dimensões: Planejamento Estratégico, Qualidade na fonte, Processos e ferramentas, Resolução de problemas, Pessoas, Melhoria Contínua, Integração de fornecedores e Foco no cliente. O instrumento foi aplicado a 90 empresas industriais de Santa Catarina. Os resultados confirmam que a maturidade pode explicar 49,9% da variância do desempenho operacional das empresas pesquisadas.

Intitulado “Maturidade das práticas de lean manufacturing e sua relação com o desempenho operacional: uma análise sob a ótica dos 14 princípios Toyota”, o estudo apoiado pela FAPESC contribui para a ampliação dos estudos científicos nos campos de lean manufacturing e maturidade das organizações, além de trazer contribuições gerenciais ao fornecer um instrumento para auto-avaliação da maturidade das práticas lean e diagnóstico dos pontos a serem melhorados.

Práticas lean em Santa Catarina

Por meio de um questionário, profissionais da área de operações de 90 indústrias de transformação catarinenses indicaram a extensão em que 38 práticas lean baseadas nos 14 princípios gerenciais da Toyota está implementada de acordo com cinco graus de maturidade, variando de 1 (não implantado ou implantado informalmente) a 5 (implantado, controlado e melhorando continuamente).

Defesa da dissertação que teve apoio da FAPESC na chamada 5/2015 (foto: arquivo pessoal Graziela Bento)

Os respondentes também assinalaram em uma escala de 5 pontos sua percepção em relação a indicadores de desempenho operacional. O instrumento foi testado por meio de análise fatorial confirmatória e os resultados demonstram que o instrumento é confiável para aplicação prática. A pesquisadora explica: “69% das empresas pesquisadas encontram-se nos níveis 1 a 3, ou seja, de maneira geral, a aplicação de práticas lean é inexistente ou informal, e quando adotadas, estão em uma fase bastante inicial com implementação em poucas áreas e resultados instáveis”.

A pesquisa mostrou que a resolução de problemas e a integração de fornecedores foram as dimensões com o menor nível de maturidade, enquanto o foco no cliente apresentou a maior maturidade no estudo, variando entre 4 e 5, nos quais as práticas já podem ser consideradas implementadas e com resultados sustentáveis. “Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre as médias de maturidade por segmento, confirmando a hipótese de outros pesquisadores de que o lean pode ser aplicado a qualquer tipo de empresa”, afirma Graziela.  “Em contrapartida”, completa, “houve diferença entre as médias de maturidade entre pequenas e grandes empresas para a maioria das dimensões”. Ainda foi possível detectar que a partir do nível 4 de maturidade, não é mais percebida diferença estatística no desempenho, o que significa que, após um ano de manutenção dos resultados alcançados, o desempenho torna-se estável.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação da FAPESC