Pesquisadores registram memória da indústria carbonífera

Devido à importância da mineração na região sul de Santa Catarina, um grupo de pesquisadores da UNESC (Universidade do Extremo Sul Catarinense) mapeou e registrou aspectos ligados ao desenvolvimento da indústria carbonífera, como educação, transporte, religião, assistência, entretenimento e trabalho. A pesquisa deu origem à publicação “Memórias e Identidades: as estruturas carboníferas como patrimônio cultural de Santa Catarina”, que será distribuída a universidades, bibliotecas, arquivos públicos e escolas. O livro foi elaborado com recursos da FAPESC (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina), que apoiou o estudo na chamada realizada em parceria com o Sistema ACAFE (Associação Catarinense das Fundações Educacionais), lançada em 2015.

Professor Paulo Sérgio Osório em Urussanga (foto: acervo pesquisadores)

O objetivo da pesquisa era promover conhecimentos sobre Patrimônio Cultural material relacionado ao ciclo do carvão em Santa Catarina, a fim de sensibilizar para sua preservação, já que se trata de uma atividade industrial de grande impacto, tanto para a urbanização dos municípios do sul do estado, quanto em relação ao meio ambiente. “Todo o complexo construído para a mineração  foi, em seu tempo, considerado moderno. Porém, no capitalismo, o que é moderno hoje, amanhã é obsoleto.  Assim, inúmeras edificações foram abandonadas. Mapear essas estruturas é para nós,  pesquisadores, uma forma de garantir certa apresentação das memórias associadas a esta atividade econômica”, explica a coordenadora do estudo, Marli de Oliveira Costa, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da UNESC.

A região pesquisada abarcou as cidades de Criciúma, Lauro Muller, Siderópolis, Capivari, Imbituba, Tubarão e Jaguaruna. Os pesquisadores utilizaram o Acervo do Grupo de Pesquisa Memória e Cultura do Carvão, que durante os anos de 2000 a 2010 organizou vasta documentação sobre o tema, atualmente disponível para consulta no CEDOC, além de documentos disponíveis no Centro de Memória da Educação do Sul de Santa Catarina.

Ruínas do escritório da CSN. B. Rio Fiorita. Siderópolis. 2017 (25)Profa. Marli de Oliveira Costa e a geógrafa Susane Da Costa Waschinewski (foto: acervo dos pesquisadores)

Em visitas a campo para verificar as condições das estruturas registradas, os pesquisadores notaram que muitas delas estavam abandonadas, principalmente da Companhia Siderúrgica Nacional, e que outras haviam desaparecido, como caixas de embarque do carvão que possuíam arquitetura em madeira,  perceptível em fotografias de 2003 e 2004. A professora relata que a pesquisa foi importante para a garantia do direito à memória da indústria do carvão, que proporcionará conhecimento sobre essa atividade econômica, reconhecendo e difundindo esses bens como parte do patrimônio cultural de Santa Catarina.

A partir do estudo foram realizados 3 Trabalhos de Conclusão de Curso de Graduação, além de terem sido publicados 5 trabalhos em eventos nacionais e 5 artigos publicados em periódicos e revistas científicas nacionais.

Fonte: Jéssica Trombini – Coordenadoria de Comunicação da FAPESC