Startup de impacto social conecta agricultor familiar a restaurantes e hotéis

Com o objetivo de facilitar o escoamento da produção do pequeno agricultor a um preço justo e levar alimentos mais frescos e baratos a quem compra no atacado, a startup Sumá, de Santa Catarina, atua desde setembro de 2017. A plataforma criada pela empresa funciona como um marketplace para fazer a conexão entre os agentes desse mercado. A startup começou conectando agricultores a empresas públicas que ofereciam refeições e hoje já atua também com estabelecimentos privados, como restaurantes e hotéis. Por meio de um aplicativo, os compradores realizam pedidos de acordo com sua demanda.

A empresa procura alinhar o estoque dos agricultores com as exigências dos compradores. Os contratos são fechados entre os agentes com a Sumá. Desta forma, é responsabilidade da startup promover a compra programada do que é solicitado pelas companhias. “Antes só colocávamos o estoque, mas o tíquete médio era baixo, por isso, agora identificamos qual a necessidade de produtos dos compradores, aumentando o tíquete médio dos agricultores”, explica o CEO da Sumá, Alexandre Leripio.

O aplicativo tem cerca de 1.600 agricultores cadastrados e iniciou as operações com ajuda de investimentos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), na Operação V do programa Sinapse da Inovação. Nascida como uma spin-off (um novo negócio) da consultoria em gestão e sustentabilidade LCG, hoje a startup se sustenta sozinha. A projeção de faturamento para 2018 é de R$ 1,694 milhão, atingindo o equilíbrio da receita em agosto do mesmo ano.

Segundo Leripio, o faturamento é relacionado à forma com que a empresa obtém capital. “Cobramos uma mensalidade de R$ 50 a cada R$ 2 mil comercializados pelo agricultor, mas, se ele comercializar menos em determinado mês, não paga nada.” Se a comercialização ultrapassar R$ 2 mil, a mensalidade sobe para R$ 99. O valor cobrado dos compradores é de 15% sobre o que for transacionado pela plataforma. “Este valor foi definido de acordo com uma pesquisa do Ipea que sugere que R$ 1.800 é a renda digna mensal de uma agricultura familiar brasileira. Assim, procuramos não prejudicar o agricultor”, acrescenta.

Avaliação

O primeiro contato entre agricultores e a startup é feito por meio de uma visita à plantação. A partir daí a Sumá analisa o local de produção e classifica os produtores. A classificação é feita de acordo com o estágio da plantação e com o que é produzido. Além da realização de curadorias e cadastramento de agricultores individuais, a startup também trabalha com cooperativas e associações. A parceria funciona da mesma forma.

A empresa ainda oferece solução em logística caso o agricultor individual necessite. Leripio afirma que muitos produtores estão deixando as cooperativas por conta de taxas abusivas. “Algumas cooperativas cobram taxas administrativas muito altas e em percentual do que o agricultor recebe, o que não achamos ser justo”, diz.

Para solucionar o problema, a Sumá sugere taxas às cooperativas e as abre ao comprador para que ele saiba exatamente quanto será destinado ao agricultor. O preço final dos produtos é sempre calculado para ser menor do que o oferecido pelas distribuidoras comuns, afirma Leripio.

Fonte: Diário Comércio, Indústria e Serviços