“Temos o melhor ecossistema de inovação do Brasil”, diz presidente da Fapesc

Ao encerrar sua gestão na presidência do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), o engenheiro mecânico e professor da UFSC Sergio Gargioni, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de SC (Fapesc), faz um balanço de ganha-ganha. O Estado está exportando para o Brasil o programa Sinapse da Inovação, que apóia a transformação de conhecimento em negócio e ganhou mais portas abertas no exterior.

Como foi sua gestão no Confap nestes tempos de poucos recursos?
O Confap congrega as fundações de amparo à pesquisa de todos os Estados, menos Roraima, que não tem. Todas têm autonomia administrativa e a maioria investe de 0,5% a 1% da receita liquida do Estado. Diante da dificuldade de recursos, houve um movimento das agências nacionais e internacionais de buscar parceiros. Nesse período, fizemos mais de 10 acordos internacionais com países como a Inglaterra, EUA, Itália, Rússia, Irlanda e Suíça. O Confap se tornou mais reconhecido no mundo todo.

Quais foram os principais acordos internacionais firmados?
Em Outubro, nós assinamos um acordo entre sete países, o Brasil e mais seis, com a comunidade econômica européia. Fomos o único país da América Latina. Através disso, hoje há um edital aberto que tem espaço para colocar 300 pesquisadores brasileiros nos melhores projetos financiados pela comunidade européia. Há três anos, firmamos um acordo com o Fundo Newton, da Inglaterra. Ela mantém isso com 15 países. O do Brasil foi o mais rápido. Em oito meses conseguimos aplicar 3 milhões de libras deles e 3 milhões de libras nossos e participar em mais de 50 projetos. Também fizemos um acordo com a Universidade de Bolonha, Itália.

Sua presença no Confap facilitou a difusão do programa Sinapse da Inovação no Brasil?
Santa Catarina ganhou mais visibilidade. Quanto alguém procurava o Confap, tinha que ligar para Santa Catarina porque o presidente era daqui. Nosso trabalho também ajudou na projeção do modelo catarinense de inovação que está sendo exportado para o Brasil. Este ano, vamos fazer a sexta edição do Sinapse de Inovação (programa pelo qual o governo do Estado financia novas empresas nascentes com R$ 50 mil a fundo perdido). Mas ele já é operacional no Amazonas e no Espírito Santo. As fundações estaduais do Mato Grosso e Alagoas também estão interessadas. Além disso, Ministério da Ciência e Tecnologia, Finep e CNPq estão nacionalizando esse programa, projeto que tem à frente o professor Alvaro Prata (UFSC). A Fundação Certi, que operacionaliza no Amazonas e ES deve ter um papel importante nessa difusão nacional.

Qual é a importância desse programa?
Todo mundo fala, eu digo todo mundo mesmo, Alemanha, Reino Unido e outros países sobre como transformar conhecimento em inovação para a economia. É isso que o Sinapse faz.  Esse modelo, dado a cultura empreendedora do Estado, foi fácil de implementar. Temos 12 universidades e espírito empreendedor na academia. Um estudante faz doutorado e, se não consegue emprego, abre o próprio negócio na sua área de pesquisa. Temos o melhor ecossistema de inovação do Brasil. Contamos com incubadoras, aceleradoras, fundos de investimentos e bancos de apoio. Nas cinco edições do Sinapse da Inovação criamos 400 novas empresas. Essas empresas têm no mínimo dois sócios, que são dois empreendedores e oferecem dois empregos diretos, em média. Então, multiplicando por quatro, essas 400 empresas geram 1,6 mil empregos de alta qualidade.

Pode dar exemplos?
No ano passado, quatro grandes empresas da Alemanha contrataram uma entidade de Berlin, a Berlin Partner, para buscar no mundo pequenas empresas inovadoras, startups, que tivessem a ver com seu negócio e pudessem ir para a Alemanha. Das 15 empresas selecionadas de todo o mundo, cinco eram de Santa Catarina. Após passar seis semanas na Alemanha patrocinadas por essas grandes empresas houve uma apresentação em Berlin.O primeiro lugar foi de uma startup de Chapecó, apoiada pelo Sinapse que criou um sistema de monitoramento de refrigeração em cadeias produtivas, já utilizado pela Aurora Alimentos. A empresa alemã que se interessou foi a Henkel, para uma unidade de produtos químicos. Além disso, entre as empresas apoiadas pelo governo de SC que se destacam hoje no mercado nacional estão a Welle Laser, Resultados Digitais e Nanovetores. Das 100 empresas da única edição do Sinapse, 50 eram de pessoas que estavam fazendo doutorado. Muitas têm mercado em SC.

Fonte: Estela Benetti – Diário Catarinense